18.10.09


Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eugénio de Andrade



28.9.09



Há Palavras


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Alexandre O`Neil


25.9.09






Pernoitas em Mim


pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'


18.9.09



Mary...you`ll always be here...

16.9.09






Evening Star

Thou fair hair'd angel of the evening,
Now, while the sun rests on the mountains light,
Thy bright torch of love; Thy radiant crown
Put on, and smile upon our evening bed!
Smile on our loves; and when thou drawest the
Blue curtains, scatter thy silver dew
On every flower that shuts its sweet eyes
In timely sleep. Let thy west wind sleep on
The lake; speak silence with thy glimmering eyes
And wash the dusk with silver. Soon, full, soon,
Dost thou withdraw; Then, the wolf rages wide,
And the lion glares thro' the dun forest.
The fleece of our flocks are covered with
Thy sacred dew; Protect them with thine influence.

William Blake

9.9.09


Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O`Neil








Behind those SAD eyes
I know
You
Haven`t forget me...


31.8.09





Horizonte 
 
O mar anterior a nós, teus medos 
Tinham coral e praias e arvoredos. 
Desvendadas a noite e a cerração, 
As tormentas passadas e o mistério, 
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério 
'Splendia sobre sobre as naus da iniciação.  
Linha severa da longínqua costa 
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta 
Em árvores onde o Longe nada tinha; 
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: 
E, no desembarcar, há aves, flores, 
Onde era só, de longe a abstracta linha. 
O sonho é ver as formas invisíveis 
Da distância imprecisa, e, com sensíveis 
Movimentos da esperança e da vontade, 
Buscar na linha fria do horizonte 
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte  
Os beijos merecidos da Verdade.                              

Fernando Pessoa 


 

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